sábado, 8 de janeiro de 2011

LÍNGUA PORTUGUESA

          Última flor do Lácio, inculta e bela,
         És, a um tempo, esplendor e sepultura:
         Ouro nativo, que na ganga impura
         A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
          Amo o teu viço agreste e o teu aroma
         De virgens selvas e de oceano largo!
         Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Olavo Bilac (1865 – 1918)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

LÍNGUA, CAETANO VELOSO

Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E um profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira
Fala!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
o que pode
Esta língua

INÍCIO DAS CRÍTICAS...

Década de 80, início das críticas consistentes ao ensino de Língua Portuguesa.