segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A tua voz fala amorosa...
Tão meiga fala que me esquece
Que é falsa a sua branda prosa.
Meu coração desentristece.

Sim, como a música sugere
O que na música não está,
Meu coração nada mais quer
Que a melodia que em ti há...

Amar-me? Quem o crerá? Fala
Na mesma voz que nada diz
Se és uma música que embala.
Eu ouço, ignoro, e sou feliz.

Nem há felicidade falsa,
Enquanto dura é verdadeira.
Que importa o que a verdade exalça
Se sou feliz desta maneira? "

Fernando Pessoa

sábado, 5 de fevereiro de 2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

EN EL MUELLE DE SAN BLÁS



Ela despediu-se do seu amor
Ele partiu em um barco no cais de São Brás
Ele jurou que voltaria e
Enxarcada em choro ela jurou que esperaria
Milhares de luas passaram
E sempre ela estava no cais
Esperando
Muitas tardes se acabaram
Se acabaram em seu cabelo
E em seus lábios
Usava o mesmo vestido
E se ele voltasse não iria se enganar
Os caranguejos a mordiam,
Suas roupas, sua tristeza e sua ilusão
E o tempo se passou
E seus olhos se encheram de amanheceres
E pelo mar se apaixonou
E seu corpo se enraizou
No cais
Sozinha,Sozinha no esquecimento
Sozinha,Sozinha com seu espírito
Sozinha,Sozinha com seu amor em mar
Sozinha,No cais de San Brás
Seu cabelo se branqueou
Mas nenhum barco seu amor lhe devolvia
E no povoado lhe chamavam
Lhe chamavam a louca do cais de São Brás
E uma tarde de abril tentaram translada-la ao manicômio nada pode arrancá-la, e do mar nunca, jamais a separaram
Sozinha,Sozinha no esquecimento
Sozinha,Sozinha com seu espírito
Sozinha,Sozinha com seu amor em mar
Sozinha,No cais de San Brás
Sozinha, sozinha no esquecimento
Sozinha, sozinha com seu espírito
Sozinha, sozinha com seu amor o mar
Sozinha, no cais de São Brás.
sozinhaSozinha com o sol e o mar
Sozinha,Sozinha no esquecimento
Sozinha,Sozinha com seu espírito
Sozinha,Sozinha com seu amor em mar
Sozinha,No cais de San Brás
Ficou,ficou,sozinha, sozinha
Ficou,ficou,com o sol e com o mar
Ficou nesse lugar,ficou, até o fim
Ficou nesse lugar,ficou, no cais de São Brás
sozinha, sozinha,sozinha

terça-feira, 18 de janeiro de 2011


As maravilhas criadas por Deus são perfeitas! Nestes momentos de contemplação do belo, percebemos a existência de Deus em nossas vidas sempre olhando por nós.

sábado, 8 de janeiro de 2011

LÍNGUA PORTUGUESA

          Última flor do Lácio, inculta e bela,
         És, a um tempo, esplendor e sepultura:
         Ouro nativo, que na ganga impura
         A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
          Amo o teu viço agreste e o teu aroma
         De virgens selvas e de oceano largo!
         Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Olavo Bilac (1865 – 1918)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

LÍNGUA, CAETANO VELOSO

Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E um profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira
Fala!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
o que pode
Esta língua

INÍCIO DAS CRÍTICAS...

Década de 80, início das críticas consistentes ao ensino de Língua Portuguesa.