A importância de se definir os objetivos
A máquina, narrativa em 1ª pessoa, conta a história de Antônio de dona Nazaré que abre a cortina e nos conta todos os fatos que aconteceram consigo quando jovem na cidade de Nordestina. Nessa cidade, todos se conheciam e entre os que lá viviam existiam aqueles que amavam a cidade e queriam continuar vivendo e aqueles que mesmo amando saiam em busca de uma vida melhor. Originando o que se chama de Êxodo rural. O enredo também fala sobre Karina (Mariana Ximenes), moça bonita, inteligente e sonhadora, que possuía um grande desejo: sair de Nordestina, que nem existia no mapa e ser atriz. Contudo, Karina não contava com um detalhe que transformaria sua vida “O amor” que despertou por Antônio. Mas e agora, o que fazer? Ficar!? Sair!? Karina tenta fugir, mas Antônio apaixonado a impede, “dizendo que ela não precisaria sair para conquistar o mundo, o mundo viria até seus pés”. Afirmando isto, nosso herói vai até ao Rio de Janeiro e se dirige a uma emissora de TV, local em que promete fazer uma viagem rumo ao futuro e ainda diz que se não conseguir, uma máquina com várias lâminas o trituraria. Com esta estratégia nosso herói consegue chamar toda a atenção da mídia para si e paralelamente para a cidade de Nordestina que fica conhecida mundialmente.
Com este método, João, o homem do tempo, conseguiu trazer turistas, grandes emissoras para a cidade, fazendo com que o mundo viesse até seu grande amor. E que por sua vez quem ganhará, também, é a cidade que passa a figurar no mapa!
O que está implícito na Máquina
O romance é uma denúncia social que revela em forma de poesia e prosa a realidade daqueles que saem dos seus lares para tentar a sorte nos grandes centros urbanos. Além, disso aborda também o progresso tecnológico enfatizando o uso maciço uso da mídia como instrumento de poder (Tv, antenas parabólicas, canais de TV). A forma como tais assuntos são tratados é surpreendente, pois de uma maneira bastante sutil nos faz refletir que o ser humano vive para tornar reais seus sonhos. O que também nos chama a atenção é o fato de que o filme consegue prender a atenção por apresentar de forma descontraída temas como: amor, perspectiva de vida, desigualdade social e a persistência. O filme tem dentro de si outro aspecto cujo, Jauss em suas teses sobre a teoria da Estatística e Recepção reconhece como a segunda tese. Esta diz respeito ao conhecimento prévio e ainda a afirmativa de que a obra literária não se apresenta como novidade absoluta, ela se reporta ao já conhecido, ou seja, há o eco de outro texto. O filme a máquina, não escapa desta análise, pois suas características se assemelham aos da obra O Auto da Compadecida, nos aspectos como: ambiente, o modo de falar e a forma simples de vida da população. Outro ponto que chama a atenção é o grau de envolvimento dos atores que trabalham incansavelmente para a obra sair simplesmente do papel e ganhar configuração em 3D. Estão de parabéns. Além do elenco magnífico a equipe de sonoplastia não deixa a desejar na escolha da trilha sonora que encanta ao assistirmos. A trama nos envolve com o amor dos apaixonados Antônio e Karina ambos com sonhos tão distintos e que no fim conseguem uni-los em um único propósito o AMOR.
A máquina: o amor é o combustível
Direção: João Falcão
Elenco: Paulo Autran, Gustavo Falcão, Mariana Ximenes, Lázaro Ramos, Wagner Moura, Edmilson Barros, Aramis Trindade.
